Delegada de Polícia, Gineterapeuta, Moon Mother, Oraculista, Erveira, Benzedeira.

terça-feira, 12 de junho de 2018

MORO E NAMORO


Namorar para mim significa 

Morar em
Eu posso morar em mim
Morar na rua
Morar no outro
Morar em mim e no outro 
E posso não morar em lugar nenhum
Se eu quiser
Mas se eu posso
Escolho morar em mim e no outro
E aceito que o outro more nele e em mim também
Moramos um no outro
Namoramos
Namoro no quarto e no carro
No mar e no rio
Namoro no claro e no escuro
De perto e de longe
Namoro de aperto de mão
De beijos longos e demorados
Namoro de olhos tagarelas
E de bocas caladas
Namoro 
Moro
Moro e namoro

Texto e foto: Ângela Santos

sexta-feira, 18 de maio de 2018

CONSELHOS DE UMA MÃE


Quer ser feliz?
Faça alguém feliz
Quer ser mais feliz?
Faça alguém mais feliz ainda
Receita de minha mãe para a felicidade de um casal

E não é que ela está certa

Quando nos propomos a dar o nosso melhor para o outro
Esse amor volta pra nós como um bumerangue
Mas primeiro precisamos nos amar muito
Por que só podemos dar aquilo que temos
em abundância dentro de nós

E como o amor é uma energia
Que vibra
Pulsa
Contagia
Com certeza nós receberemos mais amor ainda
E aí acontece um fenômeno que foge ao nosso controle
Um ciclo vicioso do amor
Uma corrente forte tendo como elos 
Companheirismo
Amorosidade
Cumplicidade
Desejo

Quando estamos amando
O nosso corpo se energiza
Sentimos o cheiro da pele do outro
Mesmo sem nenhuma gota de perfume
O hálito se torna permanentemente quente
Coração com coração
Ritmo sincrônico e ardente
Dizendo 
Amor é calmaria na tempestade

Quer ser feliz?
Faça alguém feliz
Quer ser mais feliz?
Faça alguém mais feliz ainda
Eu nem sou boba de ignorar um conselho de minha mãe
Imagem: Internet
Texto: Ângela Santos com o seu Jeito Ângela de Ser

sexta-feira, 4 de maio de 2018

BATIDA DE OVOS CAIPIRA COM UMA PITADA DE CUIDADO MATERNO

Ontem fui adicionada a um grupo de personagens, espaços e memórias da minha cidade, onde passei a infância e adolescência: Niquelândia, Goiás. Então, o organizador do grupo, Melk Aires, postou essa foto, perguntando se alguém já tinha comido batida de ovos caipira com açúcar e farinha. Nossa, na hora me vieram as lembranças, não pude me conter e meu comentário virou aquele "textão".
Lembrei-me de que os momentos que saboreávamos a batida de ovos era um evento lá em casa, talvez por que a nossa mãe, tão ocupada como comerciante, parava para nos alimentar , o que representava gestos de carinho, já que era muito cansativo fazer a trabalhosa sobremesa para tantas crianças. Mas mãe é igual a rapadura, né? É doce mas não é mole não!
Éramos quatro filhos e preparar a gemada batendo os ovos à mão, com garfo no prato esmaltado exigia muito esforço físico, então, minha mãe batia dois ovos num prato e dois ovos no outro e dava um prato para cada dois filhos. Como criança sempre têm o olho maior do que a barriga, acabávamos brigando: "mãe, fulano comeu mais do que eu!" Pensa a cabeça da minha mãe ouvindo isso depois da trabalheira de bater aquele tanto de ovos! Ela ficava nervosa, argumentava que fazia tudo com tanto carinho para nós, dizia também que o alimento era suficiente para os quatro e que nós éramos gulosos. Essa sequência se repetia toda vez que pedíamos a ela para fazer a batida de ovos para nós. Até o dia em que ela se cansou, óbvio. Então, não titubeou. Naquele dia, com uma decisão salomônica ela mudou a estratégia: bateu muitos ovos, mas muitos mesmo, preparou-os cuidadosamente com açúcar e farinha, dividiu-os, dessa vez, em quatro pratos: um para cada, mas um generoso prato. Nós, começamos a comer felizes da vida, nunca comíamos num prato sozinhos. Mas, para quem já comeu esse tipo de gemada, sabe que é uma delícia, mas enjoativa, então, cada um já ia diminuindo o ritmo das colheradas, até parar de vez. Nós só não contávamos com a determinação de nossa mãe para educar a nossa gula. Ela nos obrigou a comer tudo para que nunca mais brigássemos por algo que nem conseguiríamos comer tudo. E não é que serviu de lição! Não brigamos mais (pelo menos por batida de ovos) mas também não comemos mais aquela iguaria. Fiquei muito tempo sem saboreá-la, não aguentava ouvir falar em gemada que já me "repunava", como se dizia lá pras bandas de Goiás.
Então, ao ver o post do colega,encheu-me de água a boca. Senti não só o gosto da gemada, mas o sabor da infância, de uma vida simples e feliz, senti a energia poderosa da minha mãe em forma de carinho e de pulso firme na nossa criação. Senti também uma gratidão por aquela foto estar me fazendo recordar as boas memórias, que me preenchem e dizem sobre a minha origem, a minha essência, que dizem quem eu sou.

Foto: Malk Aires

Texto: Ângela Santos, mais conhecida com o seu Jeito Ângela de Ser, libriana com ascendente em Áries e Lua em Gêmeos, Gineterapeuta, Moon Mother, Terapeuta de Barra de Access, Facilitadora de Círculo de Mulheres, Estudiosa do Baralho Cigano, Mãe de três filhos e Delegada de Polícia no Distrito Federal. 
Texto escrito no dia 03/05/2018, primeiramente, em forma de comentário ao post citado.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

O DIA QUE REENCONTREI A MULHER SELVAGEM


Lendo mais uma vez o livro Mulheres que correm com os lobos, preparando o conteúdo de uma roda terapêutica, foi impossível não fazer conexão com a Mulher Selvagem, trazida pela autora Clarissa Pinkola. Só que dessa vez, a Mulher Selvagem, La Que Sabe, La Loba, gritou dentro de mim, cantou sobre os meus ossos.
Talvez essa ressonância seja o resultado de tantas viagens profundas dentro de mim à procura dela, de anos de cicatrizes de feridas não curadas, de tantas imersões, do encontro com várias mestras pelo caminho, que pegaram na minha mão e me conduziram, cada uma ao seu modo, a um novo portal do despertar da energia feminina, que estava adormecida em mim.  
Talvez.
Só sei que com esta última leitura, eu me encontrei cara-a-cara com La Que Sabe. E ela não tinha o aspecto sombrio, muito menos aparência da anciã. Pelo contrário, ela saltitava como uma donzela serelepe, destemida, curiosa, olhinhos brilhando, sexualidade à flor da pele, sua pele tinha viço, sua respiração era ofegante, seu hálito era quente e úmido.
E nesse momento, meu coração disparou, parecia sair pela boca. Eu a senti nas minhas entranhas e tive a certeza de que ela sempre estivera comigo. Na verdade, percebi que ela gritava para ser vista, reconhecida. Mas o padrão de menina bem comportada, exigido pela sociedade contemporânea, a definição do que era ser bem sucedida, abafou os seus gritos e afastou-me de La Que Sabe.
Como seus gritos já não podiam mais ser ouvidos, ela arrumou um jeito de chamar a minha atenção em forma de depressão, excesso de peso, apatia, relacionamentos destrutivos. E quanto mais eu me afastava dela, mais insistente ela se tornava para que eu a reconhecesse, para que eu a honrasse. Na verdade, ela só queria me dizer que o que me adoecia era o distanciamento de nós duas.
Então, nessa última leitura, La Que Sabe se apresentou para mim e ela não me era estranha, na verdade, eu senti intimidade e reciprocidade nos seus olhos serelepes. E foi a partir desse encontro olho no olho, que eu pude ver que ela sempre esteve presente quando eu quis ser pediatra, escritora, professora, astronauta, prostituta, dona de casa, esposa, amante, mãe, filha. Ela estava ao meu lado todas as vezes que entrei nua na cachoeira, no mar, todas as vezes que fechei os olhos e senti o sol aquecendo a minha pele. Era a presença dela que eu sentia toda vez que pegava a estrada, dirigindo, sozinha, fazendo mil planos. Era sua voz forte que ressoava em mim quando fazia uma investigação bem feita, quando tentava amamentar um filho com os mamilos invertidos. Era a sua energia que se manifestava em mim quando me contorcia de prazer, quando admirava e tocava o meu próprio corpo.
Mas vi o quanto tentaram calar a sua voz, esconder sua energia sexual, sensualidade. E isso se dava e se dá de uma forma tão sutil e perversa!
- “Sorri menos! Não fale palavrão! Não fale para os outros que você é naturista! Você está tendo lucro com estas coisas holísticas que você faz? Nossa, você não dá limite para os seus filhos! Como assim, você aceitou naturalmente o seu filho homossexual? Você fala tudo que você pensa, as pessoas vão interpretá-la erroneamente! E essas fotos sensuais que você posta? Você não tem medo de sofrer represálias no trabalho? Nossa, você já se casou e se separou duas vezes? Você acredita em Deusa? Você coleta o seu sangue e o devolve para a Terra? Isso é coisa de bruxa! Ah, mas você declara para os quatro ventos que você é bruxa! Também, né?”
Foi só depois dessa última leitura, que me lembrei de como é bom estar na presença de La Que Sabe! Minha Deusa, Grande Mãe, como é simples viver quando estamos na presença da Mulher Selvagem! Então, foi me dando uma vontade enorme de viajar, de conhecer lugares, pessoas, de ler mais livros, escrever mais textos, crônicas, de acariciar os cabelos dos meus filhos, de dizer à minha filha para ela nunca deixar ninguém a afastar de La Que Sabe. Uma vontade de jogar as roupas fora, de entrar nua no rio, pisar a terra com os meus pés descalços, acariciar o meu corpo, encontrar-me com o masculino, que é sagrado, que habita em mim e também no outro, no meu parceiro, no meu filho, no meu pai, nos meus amigos.
Nesse encontro, eu senti saudade de mim. Na verdade, eu senti saudade de La Que Sabe, a Mulher Selvagem, La Loba, que habita em mim, que habita todas as mulheres. Então, eu parei, fechei os olhos e senti o seu abraço, por pouco tempo, pois logo ela pegou a minha mão e, como as minhas mestras, convidou-me a seguir o caminho, abriu um novo portal, despertando em mim muito amor por mim mesma e pelas minhas irmãs. E ela me disse que estava tudo certo, que ela estava comigo nos momentos em que eu era considerada mais inadequada para os padrões estabelecidos. E ela me disse mais: era a minha inadequação, a minha loucura que me curava. Então ela brincou comigo: a louCURA.

Foto: Ladyane Ramos
Texto: Ângela Santos, mais conhecida com o seu Jeito Ângela de Ser, libriana com ascendente em Áries e Lua em Gêmeos, mãe da Lorena Mayara, do Luís Caetano e do Emanuel Oliveira, Gineterapeuta (a arte de cuidar da mulher da forma como a mulher cuida) Moon Mother (Cura da Mulher com o Despertar da Energia Feminina), Terapeuta de Barra de Access, Facilitadora de Círculo de Mulheres, Estudiosa do Baralho Cigano, Erveira, Benzedeira, Delegada de Polícia no Distrito Federal. 
Texto escrito em 20/04/2018 à meia-noite, enquanto as prisões em flagrante não aconteciam no meu plantão na 24ª Delegacia de Polícia.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Ela e esse seu jeito de ser ela

É tão fácil agradá-la
Ela é libriana
Ela gosta de coisas simples
Coisas que foram feitas especialmente pra ela
Ela é dessas que agradece uma joia rara com educação,
Mas que pula alto como uma criança quando recebe um mimo desses que não se acha em lojas caras
Ela gosta de quem gosta dela.
Ela e esse seu jeito de ser ela.

Texto e Foto: Ângela Santos, libriana, com ascendente em Aries e Lua em Gêmeos, uma alquimia bombástica de fogo e ar, o que a torna inquieta em suas buscas, Gineterapeuta, Moon Mother, Terapeuta de Barra de Access, a serviço da Espiritualidade Cigana com o Baralho Cigano, Facilitadora de Círculo de Mulheres e Delegada de Polícia no Distrito Federal há dezenove anos.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

BENDITA SEXTA-FEIRA 13


Que a sexta-feira treze é temida não é segredo de ninguém. Mas o que ninguém conta é que ela começou a ser amaldiçoada com o advento do Cristianismo, que impôs a sua crença sob a cultura pagã, para diminuir mais ainda a importância feminina na vida religiosa e social.
Mas o que a sexta-feira treze tem a ver com o feminino ou com o Sagrado Feminino? Tudo a ver.
"Ao longo dos tempos, entre os Kiowa, Cherokee, Iroquois, Sêneca e em várias outras tribos nativas norte-americanas, as anciãs contavam e ensinavam, nos "Conselhos de Mulheres" e nas "Tendas Lunares", as tradições herdadas de suas antepassadas. Dentre várias dessas lendas e histórias, sobressai a lenda das "Treze Mães das Tribos Originais", representando os princípios da energia feminina manifestados nos aspectos da Mãe Terra e da Vovó Lua.”
Essas Treze Mães, nada mais eram do que as treze lunações completas que vieram posteriormente integrar o ano solar do calendário ocidental.
O calendário era lunar e como a mulher também era cíclica sincronicamente com a Lua, óbvio que ela era muitíssimo venerada. Nessa época, as mulheres se reuniam em tendas no período menstrual, onde os saberes eram transmitidos pela linhagem feminina. Além do mais, a divindade era considerada feminina, pois os homens não tinham conhecimento da sua participação na fecundação de um embrião. Assim, eles consideravam a mulher um ser mágico, pois, a cada lunação ela sangrava e não morria e ainda, em determinado tempo, a barriga crescia e nove lunações depois, ela paria um ser que lhe era semelhante. Dessa forma, a mulher só poderia ser a imagem e semelhança da divindade.
Antes da dominação do Cristianismo, a deusa escandinava Freya , do amor, da beleza e da sexualidade, era cultuada pelos pagãos. O seu nome deu origem ao Dia de Freya, que depois se tornou Friday, sexta-feira em Inglês. Como para o Cristianismo tudo que se referia à sexualidade e ao prazer estava na lista dos pecados mortais, não seria diferente que a sexta-feira, anteriormente dedicado à deusa Freya, também entrasse para essa seleta lista.
Uma vez que o número treze estava ligado às treze lunações do calendário lunar, onde o sangue menstrual e a mulher eram venerados, associado à sexta-feira, dia dedicado à deusa da beleza, da sexualidade e do amor, também exaltando qualidades femininas, coube, de forma pensada, à Igreja amaldiçoar a Sexta-feira 13.
Hoje, nesta sexta-feira 13,  eu honro a minha ancestralidade feminina, pelo preço que lhe custou ser mulher, honro também o meu sangue menstrual, vindo do meu útero, gerador de vida e amor, sangue puro, que não proveio de doenças, feridas ou guerras. Hoje eu honro as trezes lunações que compõem o meu ano lunar. Honro ainda a deusa Freya, que me ensinou a amar o meu corpo, ensinou-me a sentir prazer comigo mesma e me ensinou que a sexualidade e o amor fazem parte do meu ser.


Texto: Ângela Santos, libriana, com lua em Gêmeos e Ascendente em Áries. Delegada de Polícia no Distrito Federal há 19 anos, Gineterapeuta, Moon Mother, Terapeuta em Barra de Access, Especialista em Bendizer, Erveira, Estudiosa do Baralho Cigano, Facilitadora de Círculo de Mulheres na empresa Clã Filhas do Vento, Mãe de três filhos.
Imgem:  Oráculo das Deusas

DIA DO BEIJO


Há beijos para todos os gostos

Beijo na testa

Na boca

E na bochecha

Há quem ensaie o beijo

Pra que seja especial

Mesmo que seja roubado

O primeiro beijo há de ser sempre lembrado

Há até quem dê nome aos beijos

Beijos molhados 

Sincronizados

E milimetricamente encaixados

Há beijos para todos os gostos

O único que não pode ficar

É o gosto do beijo que não foi dado.



Texto: Ângela Santos, libriana, com lua em Gêmeos e Ascendente em Áries. Delegada de Polícia no Distrito Federal há 19 anos, Gineterapeuta, Moon Mother, Terapeuta em Barra de Access, Especialista em Bendizer, Erveira, Estudiosa do Baralho Cigano, Facilitadora de Círculo de Mulheres na empresa Clã Filhas do Vento, Mãe de três filhos.

Imgem:  (Google Imagens)