Delegada de Polícia, Gineterapeuta, Moon Mother, Oraculista, Erveira, Benzedeira.

sexta-feira, 4 de abril de 2025

São as águas de março fechando o meu Verão

            



 Não consegui viajar para a praia nesse último verão. No entanto, no final de março, quando já era inverno, inesperadamente, apareceu uma viagem para o melhor lugar do mundo, onde minha alma se sente em casa, Massarandupió, como diz a minha amiga Ritta Cidhreira, “O Mar sara do pió”.

Quando eu digo aos meus amigos que viajei para Massarandupió já é esperada a pergunta: “Ma o que?” Prontamente eu respondo, parafraseando a Ritta, mas adicionando o pronome relativo que especifica o mar, qual seja, o mar daquela vila que tanto me encanta: O mar que sara do pió. E eles nunca mais se esquecem do nome dessa acolhedora vila de pescadores, de artesãs, de povos quilombolas, com seus saberes ancestrais, que sabem viver a vida com leveza.

Já era a última semana de março, no final da tarde, e eu estava na praia, na barraca do meu amigo Patrício, um grande cozinheiro e excelente anfitrião, quando as ondas começaram a chegar até às mesas e cadeiras, momento em que Patrício do alto da sua sabedoria, adquirida há mais de trinta anos em sua cozinha e escritório sediados na praia, disse-me que aquele fenômeno eram as águas de março fechando o verão, que vinham com ondas calmas e compridas, banhando tudo, diferentemente das águas de agosto, cujas ondas viriam derrubando tudo. Isso me deixou reflexiva. 

O Verão já tinha ido embora e, oficialmente, tinha chegado o Outono, mas era março  e, naquele lugar, com aquele sol, aquela praia linda e deserta e aquelas pessoas que tanto amo, ainda era verão. Percebi que o mar  estava calmo, mas a sua calmaria tinha uma força incrível, pois as ondas eram compridas e chegavam limpando tudo, lambendo a extensão de areia e beijando tudo aquilo que não fosse mar. 

No calendário já era Outono, mas para a natureza, às vezes, é preciso estender um pouco mais certa estação para que nós, distraídos que somos, possamos compreender o que a última estação que já se foi ainda tem a nos ensinar. O Verão nos traz a medicina da celebração, da maturidade, do corpo preparado para gerar um filho ou um projeto. Já o Outono nos traz a medicina do saber se despedir, do deixar ir, do desfolhar-se, do desapegar, assim como fazem as folhas das árvores, que se preparam para o inverno, momentos antes do recolhimento. 

Talvez eu ainda precise aprender a celebrar mais como fazemos no Verão, talvez eu não tenha que me despedir de tantas coisas incríveis que conquistei na primavera passada e talvez o Verão tenha sido pequeno demais para celebrar tantas coisas maravilhosas que acessei. Ainda tá bom demais para me desfolhar, para me desapegar, para me preparar para o recolhimento do Inverno. Até porque já tive invernos tão rigorosos que consumiram primaveras, verões , outonos e invernos e, mesmo com a chegada de mais uma primavera eu ainda continuava no inverno.

Nada mais justo, então, do que eu prolongar este último Verão dentro de mim  e continuar com as celebrações, gerando projetos magníficos e sendo instrumento da Deusa na difusão de propósitos que ajudam na cura da humanidade. Então, olhando aquele mar forte que, apesar de calmo, conseguia mover uma onda longamente, eu pensei: que privilégio o meu poder assistir a essas águas de março fechando o meu verão.





Texto escrito no dia 27 de março de 2025, já Outono, Lua Minguante, Sol em Áries.

Fotografia feita pela autora na Praia de Massarandupió.


Ângela Maria dos Santos, mais conhecida pelo seu jeito Ângela de ser, libriana, com ascendente em Àries e Lua em Gêmeos, contadora de historias, facilitadora de círculo de mulheres, terapeuta da Bênção do Útero, Gineterapeuta, Especialista no Combate à Violência de Gênero, Delegada de Polícia e mãe da Ló, do Luighi e do Manu.

domingo, 19 de janeiro de 2025

Construindo Carmas Positivos

 

Hoje, eu resolvia umas questões corriqueiras da educação do meu filho mais novo, conversando com o pai dele para ver como compraríamos o material escolar, essas coisas de início de ano, quando nos deparamos com uma conversa tão cheia de afeto, que não se costuma ver entre ex-casais. Ele me disse que transferiria pra mim um valor para que eu comprasse o material, já que ele mora em outra cidade. Daí ele fez a transferência e me passou um valor a mais e brincou dizendo que era para eu tomar um chopp bem gelado. Eu ri e disse que ele estava muito rico e eu o abençoei por isso. Agradeci a parceria e ele disse que esta nunca seria desfeita, também reafirmou que esse ano ele ganha na loteria e nós todos, daqui dessa família que fizemos juntos, seríamos contemplados por ele. Rimos como sempre fazemos e nos despedimos.

Eu e ele fomos casados por oito anos, desse relacionamento tivemos dois filhos, um só teve a permissão de ficar dois meses conosco na minha barriga. O Segundo está com quatorze anos, tão lindo, cheio de vida e personalidade marcante como a dos pais. Foram anos intensos, de alegrias e dores, mas sempre cheios de muito amor. A separação foi o melhor que pudemos fazer para nós e para nossa família. Passadas todas as dores, conseguimos manter unida a nossa família tão cheia de amor e cumplicidade. Ele segue a vida dele, com sua namorada, que por sinal é uma querida e a quem sou muito grata por todo carinho que ela tem com meu filho. Eu sigo a minha vida. Acho que o segredo é que nós respeitamos a individualidade de cada um.

Estou tão sensível hoje e fiquei bem emocionada com esses acontecimentos, que não são raros, mas me tocou de uma forma especial. Então, entrei em contato com uma amiga para falar dos meus sentimentos. Contei a ela sobre o teor das mensagens e disse que isso fazia com que eu não me sentisse sozinha no mundo. Ela disse que eu não estava sozinha e que tinham muitas pessoas que me amavam. Eu acredito nisso. Mas disse a ela que é muito raro você ter alguém que te ama sem exigir nada em troca. E era isso que me tocava profundamente.

Na verdade, isso que senti é amor na sua essência mais pura. Eu e ele não temos mais nada para dar em troca, como por exemplo, companhia diária, sexo, mas mesmo assim, a nossa parceria se firma a cada ano. E essa sensação de ser amada e de amar sem esperar nada de volta é muito gratificante e deixa o coração quentinho.

De repente, meu coração se encheu de alegria e eu me tornei a gratidão em pessoa pela oportunidade da reencarnação contemporânea e afim à dele e pela oportunidade de termos um filho em comum, um elo que nunca se romperá e também por ele ser tão presente na vida dos meus outros filhos, que o tem como uma grande referência masculina. Agradeci ainda por termos conseguido gerar um carma positivo nessa vida. Abençoei sua vida e desejei que ele consiga acessar tudo de melhor que está reservado para ele.

Pensei comigo: enquanto estava casada com ele, por mais apaixonada que eu estivesse, não o amei, pois sempre esperava algo em troca como companhia, ser desejada, ser amada. Hoje, não espero nada em troca. O fato de ele existir e estar bem me faz feliz. E nos nossos filhos eu o amarei para sempre. Então descobri o que é o amor.

 


Este texto foi escrito no início de 2024

Foto da flor Dama-da-noite, Ângela Santos

Ângela Maria dos Santos, mais conhecida com o seu Jeito Ângela de Ser, libriana com ascendente em Áries e Lua em Gêmeos, Gineterapeuta (a arte de cuidar dos seres da forma como a mulher cuida) Moon Mother (terapeuta da Cura e Bênção do Útero), Terapeuta de Barra de Access, Facilitadora de Círculo de Mulheres, Estudiosa do Baralho Cigano, Erveira, Benzedeira, Escritora, Delegada de Polícia no Distrito Federal desde 1999 e mãe da Lorena, do Luís Antônio e do Emanuel, a tarefa mais desafiadora, mas a mais prazerosa.

 


sábado, 14 de dezembro de 2024

Gotas de Chuva nas Folhas de Couve da Horta de Minha Mãe


 

Ontem, li a crônica do Rúben Alves "Onde Mora o Amor" e me encantei com ela. Como sou intensa demais, acabei lendo-a, em voz alta mesmo, para várias pessoas, uma delas a minha mãe, que nem é tão  adepta assim à leitura e, talvez por isso, eu quisesse, com a minha forma de interpretar a crônica, mostrar-lhe o quanto os escritores falam de nós em seus textos. 

Rúben Alves descrevia a volatilidade do amor que, para ele, "mais se parece com uma gota de chuva numa folha de couve, o raio de sol se decompondo nas setes cores do arco-íris. Mas tente pegá-la... Tente colocá-lá no anel. No anel só ficam coisas duras e mortas. Quem pega perde. Vento engarrafado não serve para empinar pipas e nem faz o cabelo voar... Gota de chuva brilhando em folha de couve a gente só pode olhar e extasiar. Alguns pensam que o casamento faz o milagre, que é capaz de pôr a gota de chuva no anel. Que ele consegue engaiolar o vento. E até inventaram esta palavra terrível que vamos repetindo sem nos lembrar do que significa: conjugal, con-jugo, sob a mesma canga, como parelha de bois, amarrados..."

Minha mãe sorria a cada comparação do amor ou da tentativa de engaiolá-lo e, do alto de sua experiência e sabedoria, ela concordava com o autor e se admirava com a simplicidade com que essa complexa definição se chegava a ela. 

A chuva caiu a noite toda e só foi dar trégua ao amanhecer. 

Então, minha mãe levantou-se, fez a sua caminhada matinal e, depois do seu banho, já se preparando para o trabalho, deparou-se com os seus pés de couve, cujas folhas guardavam as gotas da chuva da noite, que brilhavam nos poucos raios de sol, se confundindo com as cores do arco-íris. 

Ah, ela não se conteve e disse que não poderia sair para o trabalho sem antes me chamar para me mostrar como era a descrição do autor sobre o amor. Ela estava com a alegria singela das crianças ao saber que sua horta guardava a poesia do amor. 

Eu me empolguei e já fui logo fotografá-las, esbarrando-me numa das folhas, que, plaft, lá se foram as gotas de chuva. Então, parei e admirei cada folha de couve com as suas tantas gotas de chuva, umas minúsculas e outras gorduchas, cada uma no seu lugar, como se fosse uma pintura, que brilhava e me deixava um recado: não tente me  pegar, eu só existirei enquanto me deixarem aqui, onde serei contemplada e admirada. Então eu entendi a profundidade da comparação que o autor  fez entre o amor e a gota de chuva na folha de couve, com a qual eu estava extasiada na horta de minha mãe, que já havia se tornado íntima de Rubem Alves.

Foto: Ângela Santos

Texto Escrito em 02/04/2018 por 

Ângela Santos, mais conhecida com o seu Jeito Ângela de Ser, libriana com ascendente em Áries //e Lua em Gêmeos, Gineterapeuta (a arte de cuidar dos seres da forma como a mulher cuida) Moon Mother (terapeuta da Cura e Bênção do Útero), Terapeuta de Barra de Access, Facilitadora de Círculo de Mulheres, Estudiosa do Baralho Cigano, Erveira, Benzedeira, Escritora, Delegada de Polícia no Distrito Federal desde 1999 e mãe da Lorena, do Luís Antônio e do Emanuel, a tarefa mais desafiadora, mas a mais prazerosa.

Jambos do Pará

 

segunda-feira, 6 de maio de 2024

Um brinde à Diva do POP


 


Não sou muito fã das músicas de Madona, até por que não consumo muita música internacional, já que tenho uma paixão desmedida pela nossa MPB, mas sempre a admirei pela artista que é, pela sua representatividade para nós mulheres e para a comunidade LGBTQUIA+. É desruptiva no seu comportamento. Há quarenta décadas vem desconstruindo padrões de moralidade e de castração da libido feminina, que gera morte dos corpos que não correspondem a esse modelo fechado de existência e sexualidade.

É preciso reconhecer quem pensou coisas que nem imaginávamos pensar para nos libertar, quem não precisaria dar a cara a tapa para ser reconhecida, mas mesmo assim foi lá e meteu o bedelho sim para defender “essa gente”, para mostrar às mulheres que seus corpos lhe pertencem e nós podemos fazer o que bem entendermos dele e que sentimos desejo sexual sim, por que este é inerente ao ser humano e a nós, mulheres, foi dado um órgão sexual, o clítoris, com a única e exclusiva função de proporcionar prazer para gozarmos a vida ou simplesmente gozarmos do verbo intransitivo mesmo.

Não tenho muita paciência para assistir a shows, mas ontem me permiti assistir ao show dela, transmitido em televisão aberta, quase ao vivo, com um atraso de sincronia de poucos minutos, a pedido da artista. O que vi foi uma catarse coletiva, onde, a plateia, composta majoritariamente de pessoas da comunidade Queer, como Madona a chama, podia ser quem é, pois estava em casa, sendo acolhida por uma rainha que sempre lutou em defesa dessa comunidade. Vi também um show de memória de quem ajudou a fazer esse país lutando contra as discriminações e busca pela inclusão da diversidade, memória de quem morreu vítima do vírus HIV, que afetou sobremaneira a comunidade LGBTQIA+, com inúmeras mortes e estigmatização. Vi um dos símbolos nacionais, a nossa bandeira, ser exorcizada, exaltada e entregue a quem mais sofreu com aqueles que se  apropriaram de forma violenta do nosso símbolo.

Madona disse que sentia as cores verde e amarelo da nossa bandeira com o coração e a perequita, como foi traduzida a palavra “pussy”. Eu traduziria como buceta mesmo, acho mais visceral, que vem de boceta, aquela caixa que guarda valiosos tesouros. Essa fala dela foi mais um escândalo. Na verdade, ela sentiu a nossa energia com o que tinha de mais profundo dela, as entranhas, o útero, nossa fonte de potência, onde está armazenada a nossa força vital. A buceta só é a porta de saída dessa força, desse sentimento, dessa energia.

Por tudo que a diva representa, por esse tesão, que nada mais é do que energia de vida, por nos mostrar que podemos sentir prazer sem culpa, esta que nos foi imposta durante milênios, por desmascarar tantas hipocrisias, um brinde a ela. Vida longa e plena à Diva!

Foto: Google

Texto: Ângela Santos, mais conhecida com o seu Jeito Ângela de Ser, libriana com ascendente em Áries e Lua em Gêmeos, Gineterapeuta (a arte de cuidar dos seres da forma como a mulher cuida) Moon Mother (terapeuta da Cura e Bênção do Útero), Terapeuta de Barra de Access, Facilitadora de Círculo de Mulheres, Estudiosa do Baralho Cigano, Erveira, Benzedeira, Escritora, Delegada de Polícia no Distrito Federal desde 1999 e mãe da Lorena, do Luís Antônio e do Emanuel, a tarefa mais desafiadora, mas a mais prazerosa.

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Onde encontrei a Deusa e o Deus

 


 


Ao longo da minha vida sempre questionei a existência de Deus, onde ele estava e como se manifestava. Não conseguia conceber a ideia de um Deus sem a Deusa, um Deus capenga, faltava algo, e então, não conseguia me conectar com a divindade, pelo menos da forma como me fora ensinada. Depois de muito pensar sobre isso, buscar respostas e estudar sobre as religiões antigas, consegui acessar a divindade feminina, a Deusa. Mas Ela também estava incompleta. Como sou facilitadora de roda de mulheres e ensinava a elas sobre o feminino e masculino sagrados, comecei a correlacionar estes dois arquétipos, que habitam em nós, com o casal sagrado, o Deus e a Deusa, que se complementam no Casamento Sagrado formando o casal supremo.

Mas esse casal ainda estava muito no plano mental, não o sentia com tanta frequência e hora e outra me pegava questionando a existência da divindade. Como essas duas forças se manifestavam, como eu iria saber que elas estavam por perto, o que, de fato, eu sentiria?

Apesar de ser muito racional para permitir a presença dessa divindade, por vezes eu era surpreendida com pessoas religiosas que diziam sentir uma energia muito bacana com a minha presença, outros me diziam que viam anjos ao meu redor, outros falavam que viam Espíritos protetores tomando conta de mim. Acabei acreditando nessa força de poder que de uma certa forma eu havia canalizado para mim.

Comecei a frequentar muitos templos religiosos de variadas crenças. Em todo lugar que chegava, já bem menos racional, eu me conectava com a divindade. Se ia a uma missa, eu chorava muito, se ia a um terreiro, eu era acalentada pelos Orixás, pelas entidades, se ia a um templo budista, eu me sentia plena, se ia aos rituais da Deusa, eu entrava em êxtase, se ia a um culto evangélico, eu entrava em comunhão.

Ano passado senti uma vontade estranha de conhecer um mosteiro na cidade de São Mateus, ES. Ao chegar lá, começou uma chuva fina e fui recebida por uma simpática freira, que logo me disse: você veio trazer ou buscar benção?  E eu rapidamente respondi: os dois. Então, ela, com um sorriso lindo me disse que com certeza eu trazia benção, pois a chuva chegou no mesmo momento em que eu pisei os meus pés ali e chuva sempre é sinônimo de benção em forma de água que mata a sede. Nesse ínterim, eu já chorava, emocionadíssima. Ela me disse que se chamava Estefânia e eu lhe contei que esse era o nome de uma amiga querida de infância. Então, ela, de forma terapêutica, me disse: quem sabe sua cura não esteja lá na sua infância e me deu um abraço caloroso e demorado para me confortar. Senti vontade de me enclausurar ali com elas e naquele momento eu não senti vontade nem de morrer, nem de viver, pois estava plena. Ali eu senti que a Deusa e o Deus estavam presentes, não importava qual a fé professada naquele lugar.

Há um tempo, eu fui assistir a um tabuleiro de Omolu, no terreiro onde meu filho foi iniciado no Candomblé. A festa estava linda, com os cânticos e rezas, eu, como sempre, já muito emocionada, quando, em determinado momento da festa, o Orixá Omolu veio me dar um “banho de pipoca”, colocou-me em seu colo e me afagava como se acalentasse um bebê, pediu para que buscassem o seu Azê, que é a sua coroa com as palhas que lhe cobrem o rosto e o corpo, entregou a mim e disse para eu levar para a minha casa e deveria devolver na próxima semana, em outro tabuleiro. Naquele momento eu senti as minhas feridas sendo cicatrizadas, as minhas dores mais profundas sendo dissipadas. Eu me senti honrada com tanto carinho e proteção e fiz o que ele me pediu e me senti protegida. Ali eu senti a presença da Deusa e do Deus e eu só queria continuar sendo afagada pelo casal supremo.

Dias atrás, meu namorado disse que iria me levar a um lugar que me deixaria muito feliz. E assim, partimos para Aparecida do Norte, mais especificamente, para o Santuário de Nossa Senhora da Aparecida. Não contive minhas lágrimas quando pisei o pátio do santuário. Vi pessoas sentadas nas calçadas, muito simples, comendo seu lanche trazido de casa, pagando suas promessas. Eu me arrepiava toda e me emocionava. Quanta energia boa senti, quanta gente cheia de luz, pagando o que devia e agradecendo pelas bênçãos recebidas. Por mais que eu respeite a Santa e a considere uma Deusa, mulher preta e forte, eu percebi que a energia que eu sentia vinha da fé daquela multidão cheia de gratidão em seus corações, eu sentia que ali não havia lugar para maus pensamentos, todos ali vibravam amor, cura, agradecimento, esperança.  Ali estavam a Deusa e o Deus e eu estava sentindo muito forte a presença do casal supremo.

Hoje, eu vejo o quanto eu procurava de forma racional respostas que eu só pude encontrar quando me permiti ser pequena, ser inteira, ser plena, quando eu me permiti enxergar o casal divino nos sentimentos dos outros, quando eu me permiti ser frágil, cheia de defeitos e quando eu me permiti tirar os julgamentos das religiões praticadas e pude perceber que, independente da religiosidade de cada um, o casal sagrado sempre estará onde existirem pessoas que acreditem em sua força, pessoas agradecidas, cheias de amor e esperança de dias melhores.

Foto: Google

Texto escrito em 10 de setembro de 2020 por Ângela Santos, mais conhecida com o seu Jeito Ângela de Ser, libriana com ascendente em Áries e Lua em Gêmeos, mãe da Lorena Mayara, do Luís Caetano e do Emanuel Oliveira, Gineterapeuta (a arte de cuidar da mulher da forma como a mulher cuida) Moon Mother (Cura da Mulher com o Despertar da Energia Feminina), Terapeuta de Barra de Access, Facilitadora de Círculo de Mulheres, Estudiosa do Baralho Cigano, Erveira, Benzedeira, Escritora, Delegada de Polícia no Distrito Federal desde 1999.



quarta-feira, 18 de setembro de 2019

EU SINTO VOCÊ

Eu sei que você está aí

Eu sinto você

Eu sinto sua curiosidade em cada palavra que você lê

Eu sinto seu sorriso malicioso quando você imagina de que sou capaz

Eu sinto você

Eu sinto você me espreitando e me seguindo

Eu sinto seus pensamentos que ficam emaranhados aos meus

Eu sinto a sua língua quente e úmida deslizar pelo meu corpo como animal lambendo a cria

Eu sinto o ritmo da sua ofegante respiração num compasso sincrônico com a minha

Eu estou no seu sonho que você quer que continue no próximo sonho

Eu sinto você

Eu sei que você está aí

E eu quero apenas sentir você.


Foto: Google
Texto escrito em 14 de dezembro de 2015 por Ângela Santos, mais conhecida com o seu Jeito Ângela de Ser, libriana com ascendente em Áries e Lua em Gêmeos, mãe da Lorena Mayara, do Luís Caetano e do Emanuel Oliveira, Gineterapeuta (a arte de cuidar da mulher da forma como a mulher cuida) Moon Mother (Cura da Mulher com o Despertar da Energia Feminina), Terapeuta de Barra de Access, Facilitadora de Círculo de Mulheres, Estudiosa do Baralho Cigano, Erveira, Benzedeira, Delegada de Polícia no Distrito Federal. 




terça-feira, 17 de julho de 2018

COLETOR MENSTRUAL, O QUE É ISSO?


O coletor menstrual é um copinho feito de silicone, que é introduzido na vagina e deve ser trocado assim que estiver cheio, daí é só retirar, descartar ou guardar o sangue (para devolver à Mãe Terra, utilizar como fertilizantes para plantas ou até mesmo como tinta para pinturas), lavar com sabão, reinserir e, no final do ciclo, lavá-lo com sabão, fervê-lo, guardá-lo no saquinho apropriado e carregá-lo, de preferência, na bolsa (para não ser pega de surpresa quando da próxima menstruação). 
Com o u
so coletor, deixamos de poluir o meio ambiente e retiramos as toxinas deixadas pelos absorventes no nosso corpo, como por exemplo, a dioxina que dá o clareamento dos absorvente e é extremamente danosa para o nosso organismo bem como o amianto que "suga" o sangue, fazendo com que sangremos mais e por mais tempo, pois o nosso útero fica "viciado" nessa substância, que também faz muito mal para o nosso corpo. Além do mais,com o uso do absorvente, o nosso útero fica sem respirar enquanto estamos menstruadas. Com os absorvente internos, descartáveis, além das toxinas, corremos ainda o seriíssimo risco de ter a temida Síndrome do Choque Tóxico, pois o ar entra em contato com o sangue, trazendo as bactérias e as infecções. Isso não acontece com o coletor menstrual, uma vez que ele se encaixa de tal forma, criando vácuo, o que impede o sangue de ter contato com o ar e assim proliferar as bactérias com consequente infecção. Desta forma, quando retiramos o coletor, veremos que nosso sangue não tem cheiro ruim, pois este só ocorre como resultado das bactérias produzidas nesse processo do contato do sangue com o ar. 
Além do mais, com o uso do coletor, passamos a conhecer melhor o nosso corpo e nos reconhecer como mulheres cíclicas que somos, identificar cada fase do nosso ciclo com todas as alterações hormonais inerentes ao ciclo menstrual. Com autoconhecimento, desconstruímos as crenças de que nosso sangue é fedido, sujo, nojento e nos tornamos empoderadas de nós mesmas. 
Eu guardo o meu sangue e o devolvo à Terra, alimentando as minhas plantinhas, já que é um poderosíssimo fertilizante, e também já o utilizei como matéria prima para pintar o meu tambor, em ato de respeito à Mãe Natureza, a Grande Mãe. E desde então, o meu tambor passou a ser não apenas a extensão do meu coração, mas também do meu útero e ambos tocam em sintonia. 

Texto: Ângela Santos é libriana, com lua em Gêmeos e Ascendente em Áries. Mãe da Lorena, do Luís e do Emanuel, as melhores versões de mim em parcerias. Gineterapeuta, Moon Mother, Terapeuta em Barra de Access, Benzedeira, Erveira, Cartomante, Facilitadora e Focalizadora de Círculo de Mulheres na empresa Clã Filhas do Vento, Delegada de Polícia Civil no Distrito Federal desde 1999, Especialista em Violência contra a Mulher.
Foto: Google Imagens

terça-feira, 12 de junho de 2018

MORO E NAMORO


Namorar para mim significa 

Morar em
Eu posso morar em mim
Morar na rua
Morar no outro
Morar em mim e no outro 
E posso não morar em lugar nenhum
Se eu quiser
Mas se eu posso
Escolho morar em mim e no outro
E aceito que o outro more nele e em mim também
Moramos um no outro
Namoramos
Namoro no quarto e no carro
No mar e no rio
Namoro no claro e no escuro
De perto e de longe
Namoro de aperto de mão
De beijos longos e demorados
Namoro de olhos tagarelas
E de bocas caladas
Namoro 
Moro
Moro e namoro

Texto e foto: Ângela Santos

sexta-feira, 18 de maio de 2018

CONSELHOS DE UMA MÃE


Quer ser feliz?
Faça alguém feliz
Quer ser mais feliz?
Faça alguém mais feliz ainda
Receita de minha mãe para a felicidade de um casal

E não é que ela está certa

Quando nos propomos a dar o nosso melhor para o outro
Esse amor volta pra nós como um bumerangue
Mas primeiro precisamos nos amar muito
Por que só podemos dar aquilo que temos
em abundância dentro de nós

E como o amor é uma energia
Que vibra
Pulsa
Contagia
Com certeza nós receberemos mais amor ainda
E aí acontece um fenômeno que foge ao nosso controle
Um ciclo vicioso do amor
Uma corrente forte tendo como elos 
Companheirismo
Amorosidade
Cumplicidade
Desejo

Quando estamos amando
O nosso corpo se energiza
Sentimos o cheiro da pele do outro
Mesmo sem nenhuma gota de perfume
O hálito se torna permanentemente quente
Coração com coração
Ritmo sincrônico e ardente
Dizendo 
Amor é calmaria na tempestade

Quer ser feliz?
Faça alguém feliz
Quer ser mais feliz?
Faça alguém mais feliz ainda
Eu nem sou boba de ignorar um conselho de minha mãe
Imagem: Internet
Texto: Ângela Santos com o seu Jeito Ângela de Ser

sexta-feira, 4 de maio de 2018

BATIDA DE OVOS CAIPIRA COM UMA PITADA DE CUIDADO MATERNO

Ontem fui adicionada a um grupo de personagens, espaços e memórias da minha cidade, onde passei a infância e adolescência: Niquelândia, Goiás. Então, o organizador do grupo, Melk Aires, postou essa foto, perguntando se alguém já tinha comido batida de ovos caipira com açúcar e farinha. Nossa, na hora me vieram as lembranças, não pude me conter e meu comentário virou aquele "textão".
Lembrei-me de que os momentos que saboreávamos a batida de ovos era um evento lá em casa, talvez por que a nossa mãe, tão ocupada como comerciante, parava para nos alimentar , o que representava gestos de carinho, já que era muito cansativo fazer a trabalhosa sobremesa para tantas crianças. Mas mãe é igual a rapadura, né? É doce mas não é mole não!
Éramos quatro filhos e preparar a gemada batendo os ovos à mão, com garfo no prato esmaltado exigia muito esforço físico, então, minha mãe batia dois ovos num prato e dois ovos no outro e dava um prato para cada dois filhos. Como criança sempre têm o olho maior do que a barriga, acabávamos brigando: "mãe, fulano comeu mais do que eu!" Pensa a cabeça da minha mãe ouvindo isso depois da trabalheira de bater aquele tanto de ovos! Ela ficava nervosa, argumentava que fazia tudo com tanto carinho para nós, dizia também que o alimento era suficiente para os quatro e que nós éramos gulosos. Essa sequência se repetia toda vez que pedíamos a ela para fazer a batida de ovos para nós. Até o dia em que ela se cansou, óbvio. Então, não titubeou. Naquele dia, com uma decisão salomônica ela mudou a estratégia: bateu muitos ovos, mas muitos mesmo, preparou-os cuidadosamente com açúcar e farinha, dividiu-os, dessa vez, em quatro pratos: um para cada, mas um generoso prato. Nós, começamos a comer felizes da vida, nunca comíamos num prato sozinhos. Mas, para quem já comeu esse tipo de gemada, sabe que é uma delícia, mas enjoativa, então, cada um já ia diminuindo o ritmo das colheradas, até parar de vez. Nós só não contávamos com a determinação de nossa mãe para educar a nossa gula. Ela nos obrigou a comer tudo para que nunca mais brigássemos por algo que nem conseguiríamos comer tudo. E não é que serviu de lição! Não brigamos mais (pelo menos por batida de ovos) mas também não comemos mais aquela iguaria. Fiquei muito tempo sem saboreá-la, não aguentava ouvir falar em gemada que já me "repunava", como se dizia lá pras bandas de Goiás.
Então, ao ver o post do colega,encheu-me de água a boca. Senti não só o gosto da gemada, mas o sabor da infância, de uma vida simples e feliz, senti a energia poderosa da minha mãe em forma de carinho e de pulso firme na nossa criação. Senti também uma gratidão por aquela foto estar me fazendo recordar as boas memórias, que me preenchem e dizem sobre a minha origem, a minha essência, que dizem quem eu sou.

Foto: Malk Aires

Texto: Ângela Santos, mais conhecida com o seu Jeito Ângela de Ser, libriana com ascendente em Áries e Lua em Gêmeos, Gineterapeuta, Moon Mother, Terapeuta de Barra de Access, Facilitadora de Círculo de Mulheres, Estudiosa do Baralho Cigano, Mãe de três filhos e Delegada de Polícia no Distrito Federal. 
Texto escrito no dia 03/05/2018, primeiramente, em forma de comentário ao post citado.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

O DIA QUE REENCONTREI A MULHER SELVAGEM


Lendo mais uma vez o livro Mulheres que correm com os lobos, preparando o conteúdo de uma roda terapêutica, foi impossível não fazer conexão com a Mulher Selvagem, trazida pela autora Clarissa Pinkola. Só que dessa vez, a Mulher Selvagem, La Que Sabe, La Loba, gritou dentro de mim, cantou sobre os meus ossos.
Talvez essa ressonância seja o resultado de tantas viagens profundas dentro de mim à procura dela, de anos de cicatrizes de feridas não curadas, de tantas imersões, do encontro com várias mestras pelo caminho, que pegaram na minha mão e me conduziram, cada uma ao seu modo, a um novo portal do despertar da energia feminina, que estava adormecida em mim.  
Talvez.
Só sei que com esta última leitura, eu me encontrei cara-a-cara com La Que Sabe. E ela não tinha o aspecto sombrio, muito menos aparência da anciã. Pelo contrário, ela saltitava como uma donzela serelepe, destemida, curiosa, olhinhos brilhando, sexualidade à flor da pele, sua pele tinha viço, sua respiração era ofegante, seu hálito era quente e úmido.
E nesse momento, meu coração disparou, parecia sair pela boca. Eu a senti nas minhas entranhas e tive a certeza de que ela sempre estivera comigo. Na verdade, percebi que ela gritava para ser vista, reconhecida. Mas o padrão de menina bem comportada, exigido pela sociedade contemporânea, a definição do que era ser bem sucedida, abafou os seus gritos e afastou-me de La Que Sabe.
Como seus gritos já não podiam mais ser ouvidos, ela arrumou um jeito de chamar a minha atenção em forma de depressão, excesso de peso, apatia, relacionamentos destrutivos. E quanto mais eu me afastava dela, mais insistente ela se tornava para que eu a reconhecesse, para que eu a honrasse. Na verdade, ela só queria me dizer que o que me adoecia era o distanciamento de nós duas.
Então, nessa última leitura, La Que Sabe se apresentou para mim e ela não me era estranha, na verdade, eu senti intimidade e reciprocidade nos seus olhos serelepes. E foi a partir desse encontro olho no olho, que eu pude ver que ela sempre esteve presente quando eu quis ser pediatra, escritora, professora, astronauta, prostituta, dona de casa, esposa, amante, mãe, filha. Ela estava ao meu lado todas as vezes que entrei nua na cachoeira, no mar, todas as vezes que fechei os olhos e senti o sol aquecendo a minha pele. Era a presença dela que eu sentia toda vez que pegava a estrada, dirigindo, sozinha, fazendo mil planos. Era sua voz forte que ressoava em mim quando fazia uma investigação bem feita, quando tentava amamentar um filho com os mamilos invertidos. Era a sua energia que se manifestava em mim quando me contorcia de prazer, quando admirava e tocava o meu próprio corpo.
Mas vi o quanto tentaram calar a sua voz, esconder sua energia sexual, sensualidade. E isso se dava e se dá de uma forma tão sutil e perversa!
- “Sorri menos! Não fale palavrão! Não fale para os outros que você é naturista! Você está tendo lucro com estas coisas holísticas que você faz? Nossa, você não dá limite para os seus filhos! Como assim, você aceitou naturalmente o seu filho homossexual? Você fala tudo que você pensa, as pessoas vão interpretá-la erroneamente! E essas fotos sensuais que você posta? Você não tem medo de sofrer represálias no trabalho? Nossa, você já se casou e se separou duas vezes? Você acredita em Deusa? Você coleta o seu sangue e o devolve para a Terra? Isso é coisa de bruxa! Ah, mas você declara para os quatro ventos que você é bruxa! Também, né?”
Foi só depois dessa última leitura, que me lembrei de como é bom estar na presença de La Que Sabe! Minha Deusa, Grande Mãe, como é simples viver quando estamos na presença da Mulher Selvagem! Então, foi me dando uma vontade enorme de viajar, de conhecer lugares, pessoas, de ler mais livros, escrever mais textos, crônicas, de acariciar os cabelos dos meus filhos, de dizer à minha filha para ela nunca deixar ninguém a afastar de La Que Sabe. Uma vontade de jogar as roupas fora, de entrar nua no rio, pisar a terra com os meus pés descalços, acariciar o meu corpo, encontrar-me com o masculino, que é sagrado, que habita em mim e também no outro, no meu parceiro, no meu filho, no meu pai, nos meus amigos.
Nesse encontro, eu senti saudade de mim. Na verdade, eu senti saudade de La Que Sabe, a Mulher Selvagem, La Loba, que habita em mim, que habita todas as mulheres. Então, eu parei, fechei os olhos e senti o seu abraço, por pouco tempo, pois logo ela pegou a minha mão e, como as minhas mestras, convidou-me a seguir o caminho, abriu um novo portal, despertando em mim muito amor por mim mesma e pelas minhas irmãs. E ela me disse que estava tudo certo, que ela estava comigo nos momentos em que eu era considerada mais inadequada para os padrões estabelecidos. E ela me disse mais: era a minha inadequação, a minha loucura que me curava. Então ela brincou comigo: a louCURA.

Foto: Ladyane Ramos
Texto: Ângela Santos, mais conhecida com o seu Jeito Ângela de Ser, libriana com ascendente em Áries e Lua em Gêmeos, mãe da Lorena Mayara, do Luís Caetano e do Emanuel Oliveira, Gineterapeuta (a arte de cuidar da mulher da forma como a mulher cuida) Moon Mother (Cura da Mulher com o Despertar da Energia Feminina), Terapeuta de Barra de Access, Facilitadora de Círculo de Mulheres, Estudiosa do Baralho Cigano, Erveira, Benzedeira, Delegada de Polícia no Distrito Federal. 
Texto escrito em 20/04/2018 à meia-noite, enquanto as prisões em flagrante não aconteciam no meu plantão na 24ª Delegacia de Polícia.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Ela e esse seu jeito de ser ela

É tão fácil agradá-la
Ela é libriana
Ela gosta de coisas simples
Coisas que foram feitas especialmente pra ela
Ela é dessas que agradece uma joia rara com educação,
Mas que pula alto como uma criança quando recebe um mimo desses que não se acha em lojas caras
Ela gosta de quem gosta dela.
Ela e esse seu jeito de ser ela.

Texto e Foto: Ângela Santos, libriana, com ascendente em Aries e Lua em Gêmeos, uma alquimia bombástica de fogo e ar, o que a torna inquieta em suas buscas, Gineterapeuta, Moon Mother, Terapeuta de Barra de Access, a serviço da Espiritualidade Cigana com o Baralho Cigano, Facilitadora de Círculo de Mulheres e Delegada de Polícia no Distrito Federal há dezenove anos.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

BENDITA SEXTA-FEIRA 13


Que a sexta-feira treze é temida não é segredo de ninguém. Mas o que ninguém conta é que ela começou a ser amaldiçoada com o advento do Cristianismo, que impôs a sua crença sob a cultura pagã, para diminuir mais ainda a importância feminina na vida religiosa e social.
Mas o que a sexta-feira treze tem a ver com o feminino ou com o Sagrado Feminino? Tudo a ver.
"Ao longo dos tempos, entre os Kiowa, Cherokee, Iroquois, Sêneca e em várias outras tribos nativas norte-americanas, as anciãs contavam e ensinavam, nos "Conselhos de Mulheres" e nas "Tendas Lunares", as tradições herdadas de suas antepassadas. Dentre várias dessas lendas e histórias, sobressai a lenda das "Treze Mães das Tribos Originais", representando os princípios da energia feminina manifestados nos aspectos da Mãe Terra e da Vovó Lua.”
Essas Treze Mães, nada mais eram do que as treze lunações completas que vieram posteriormente integrar o ano solar do calendário ocidental.
O calendário era lunar e como a mulher também era cíclica sincronicamente com a Lua, óbvio que ela era muitíssimo venerada. Nessa época, as mulheres se reuniam em tendas no período menstrual, onde os saberes eram transmitidos pela linhagem feminina. Além do mais, a divindade era considerada feminina, pois os homens não tinham conhecimento da sua participação na fecundação de um embrião. Assim, eles consideravam a mulher um ser mágico, pois, a cada lunação ela sangrava e não morria e ainda, em determinado tempo, a barriga crescia e nove lunações depois, ela paria um ser que lhe era semelhante. Dessa forma, a mulher só poderia ser a imagem e semelhança da divindade.
Antes da dominação do Cristianismo, a deusa escandinava Freya , do amor, da beleza e da sexualidade, era cultuada pelos pagãos. O seu nome deu origem ao Dia de Freya, que depois se tornou Friday, sexta-feira em Inglês. Como para o Cristianismo tudo que se referia à sexualidade e ao prazer estava na lista dos pecados mortais, não seria diferente que a sexta-feira, anteriormente dedicado à deusa Freya, também entrasse para essa seleta lista.
Uma vez que o número treze estava ligado às treze lunações do calendário lunar, onde o sangue menstrual e a mulher eram venerados, associado à sexta-feira, dia dedicado à deusa da beleza, da sexualidade e do amor, também exaltando qualidades femininas, coube, de forma pensada, à Igreja amaldiçoar a Sexta-feira 13.
Hoje, nesta sexta-feira 13,  eu honro a minha ancestralidade feminina, pelo preço que lhe custou ser mulher, honro também o meu sangue menstrual, vindo do meu útero, gerador de vida e amor, sangue puro, que não proveio de doenças, feridas ou guerras. Hoje eu honro as trezes lunações que compõem o meu ano lunar. Honro ainda a deusa Freya, que me ensinou a amar o meu corpo, ensinou-me a sentir prazer comigo mesma e me ensinou que a sexualidade e o amor fazem parte do meu ser.


Texto: Ângela Santos, libriana, com lua em Gêmeos e Ascendente em Áries. Delegada de Polícia no Distrito Federal há 19 anos, Gineterapeuta, Moon Mother, Terapeuta em Barra de Access, Especialista em Bendizer, Erveira, Estudiosa do Baralho Cigano, Facilitadora de Círculo de Mulheres na empresa Clã Filhas do Vento, Mãe de três filhos.
Imgem:  Oráculo das Deusas

DIA DO BEIJO


Há beijos para todos os gostos

Beijo na testa

Na boca

E na bochecha

Há quem ensaie o beijo

Pra que seja especial

Mesmo que seja roubado

O primeiro beijo há de ser sempre lembrado

Há até quem dê nome aos beijos

Beijos molhados 

Sincronizados

E milimetricamente encaixados

Há beijos para todos os gostos

O único que não pode ficar

É o gosto do beijo que não foi dado.



Texto: Ângela Santos, libriana, com lua em Gêmeos e Ascendente em Áries. Delegada de Polícia no Distrito Federal há 19 anos, Gineterapeuta, Moon Mother, Terapeuta em Barra de Access, Especialista em Bendizer, Erveira, Estudiosa do Baralho Cigano, Facilitadora de Círculo de Mulheres na empresa Clã Filhas do Vento, Mãe de três filhos.

Imgem:  (Google Imagens)



quinta-feira, 5 de abril de 2018

CHUVA NO TELHADO, BOLINHO DE CHUVA E CAFÉ COADO NA HORA





Barulho de chuva caindo no telhado da casa... 
Como será a onomatopeia para tal?
Não se sabe, nem se está interessado em saber, só se sabe que traz boas lembranças, que, de tão reais, vê-se o momento passado, como se tivesse sido fotografado, emoldurado e pendurado na parede da sala e se sente o pulsar do sangue na veia, bombeado pelo coração, com a mesma freqüência de outrora.
E a semana só estava na metade, folga inesperada, daquelas que a gente não sabe o que fazer com ela. Não para um casal que acaba de iniciar o namoro e uma simpática, sábia e sensível anfitriã, que se deita no sofá revestido com uma colcha confeccionada com retalhos, que se formam exclusivos mosaicos e, em cujas almofadas, com capas de crochês feitas com restos de linhas coloridas, recosta a cabeça.
A chuva insiste em cair...
O jovem casal se enrosca na cama de solteiro, que se integra à velha mobília do misterioso quarto e os dois nem imaginam que tesouros escondem o baú, a mala de couro e os guarda-roupas que lhes rodeiam. A moça e o moço não estão interessados em nada que não sejam o barulho da chuva caindo na telha da singela casa e a vontade de se aquecerem do friozinho, típico daqueles dias chuvosos. Mas logo, eles passam a escutar também a respiração e o coração um do outro em sincronia com os lentos pingos de chuva. 
A anfitriã dorme? Ou está a lembrar de momentos tão parecidos, vividos com o grande amor de sua vida que, há muito, partira desta vida? Talvez sejam essas lembranças que a deixam tão quieta, enquanto os jovens apaixonados adormecem no colo um do outro na estreita cama no quarto ao lado.
Mas a chuva não para!
Então a anfitriã levanta-se, prepara a massa do bolinho de chuva, coloca a gordura para se aquecer e joga, no líquido fervente, uma colherada da bendita massa, fazendo um barulho, que, por segundos, concorre com os pingos caídos lá fora. Enquanto o bolinho estoura na panela, um café caipira é coado, cujos grãos foram colhidos, torrados e moídos manualmente, exalando um aroma que invade a casa, fazendo com que os enamorados se despertem para, com um bom dedo de prosa, na companhia daquela boa quituteira, deliciar a merendinha regada a café quentinho e belas histórias vividas por ela, até que a chuva pare e tudo siga o seu curso.
Os namorados cumprirão, cada um, as suas responsabilidades diárias, e a doce anfitriã ficará sozinha, esperando, ansiosamente, que a chuva caia novamente e uma nova visita chegue para outras histórias, quem sabe!
O casal pode até se abraçar toda vez que a chuva cair, mas aquela casa simples não haverá mais, os móveis antigos que escondiam grandes tesouros serão espalhados para não se sabe onde, e a anfitriã... ah! Essa, que fazia toda a diferença, com seus causos e sua discrição, só existirá na memória de cada um daqueles dois sonhadores, que terão a certeza de que o barulho da chuva caindo no telhado, o café coado na hora com o bolinho de chuva quentinho nunca mais hão de ter a mesma delicadeza e o mesmo sabor.



Texto: Ângela Santos, libriana, com lua em Gêmeos e Ascendente em Áries. Delegada de Polícia no Distrito Federal há 19 anos, Gineterapeuta, Moon Mother, Terapeuta em Barra de Access, Especialista em Bendizer, Erveira, Estudiosa do Baralho Cigano, Facilitadora de Círculo de Mulheres na empresa Clã Filhas do Vento, Mãe de três filhos.
Imgem: Alexandra de Abreu (Google Imagens)